terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Outras consultorias...

Não entendo quem precisa de consultoria sobre discos voadores na bíblia, quem sabe algo mais corriqueiro, como o retorno da pessoa amada, afastamento do rival, sucesso no trabalho, carta de motorista (esse me pareceu interessante, ainda não tenho!!), frigidez, impotência, fidelidade do casal [essa tb parece boa heim! ((Ò>Ó)) ] .... .... ..............





Pois é, no primeiro mundo não é diferente, talvez os consultores não sejam tão criativos, ou quem sabe a procura é que seja menos criativa!

Fotos de um amigo meu que mora em Toulouse....



^^


domingo, 24 de janeiro de 2010

Consultoria

Tá certo que a regra do momento é diversificar, mas esse cara abusou!!


Posted by Picasa

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Mama mia me maritari

O Poderoso Chefão é o filme mais foda de todos os tempos. Aproveitei uma promoção de fim de semana e comprei o box no Submarino por 50 contos (com direito a uma camiseta tamanho GGG) e já assisti a cena do casamento umas três vezes. Pra quem nunca assistiu, a sequência do casamento da filha de Don Corleone é a cena inicial do primeiro filme da trilogia e tem exatos 27 minutos. É fantástica!

Da última vez que assisti, fiquei curioso sobre a música cantada pela Mama Corleone



Descobri que é uma canção tradicional siciliana  com um conteúdo bastante erótico, como não podia deixar de ser... O dialeto é siciliano e eu não falo italiano, mas, com a ajuda do pai google, pude pegar o sentido da música.
A menina quer se casar e pede conselhos à mãe, que desaconselha que ela case com todos os pretendentes possíveis, cada um por um motivo parecido...






Traduzindo: 

Há uma lua no meio do oceano:
- Mamãe eu quero me casar
Filha minha quem eu devo escolher pra você?
Mamãe, eu deixo a escolha para você

Se eu te der um peixeiro
Ele vai, ele vem
Sempre com o seu peixe nas mãos
Se ele gosta da idéia
Ele "peixa" você também, minha filha

REFRÃO

Se eu te der um sapateiro
Ele vai, ele vem
Sempre com o seu martelo nas mãos
Se ele gosta da idéia
Ele "martela" você também, minha filha

E por aí repete-se a história com todas as profissões possíveis e imagináveis, umas mais outras menos picantes, de acordo com a criatividade do cantor. Algo como o melô da barata!

Mais um exemplo, agora em siciliano... Acho que dá pra entender:

Figghia mia a cu te ddari?
Mamma mia penzaci tu.
Si ci dugnu macillaiu (açougueiro)
Iddu va, iddu veni
La sasizza (salsicha) manu teni.
Si ci pigghia la fantasia
Mi sasizzia la figghia mia.

O Mamma, piscia fritta baccala
O Mamma piscia fritta baccala.

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Ao ouvir mais sobre essa canção, lembrei-me de uma tirada dos trapalhões Acho que até dá pra considerar uma versão. Né não?



quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Tu Veux ou tu Veux Pas

Depois de um longo período de trevas, o AkelaCoisa volta à ativa. FELIZ 2010!!!

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Hoje trago uma música gravada por Wilson Sinomal e que compõe a trilha sonora do filme Cidade de Deus.



Originalmente lançada num sigle de 1968, a canção, composta por Carlos Imperial, fez bastante sucesso neste relançamento de 2002 (Aliás, o disco todo, assim como o filme, fez um mega sucesso. Pra quem nunca ouviu, sugiro baixar. Download da Trilha Sonora de Cidade de Deus  - 2002).

Carlos Imperial foi um dos mentores da Turma da Pilantragem, movimento cultural da década de 60. Daí a citação de Simonal "vamos voltar à Pilantragem..."


single de Não Vem Que Não Tem



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O que me levou a escrever sobre essa deliciosa canção foi a minha descoberta de uma versão francesa, que se tornou um clássico instantâneo dessa minha vida de hesitações... Após uma breve pesquisa na mãe Wikipédia, descobri que a versão francesa (que cheguei a pensar que pudesse ser a original) trouxe "enorme fama" ao jazzista Zanini. O vídeo é divertido (pra não dizer hilário). Zanini, com seu chapéu zebrado, seus óculos redondos e seu bigode hirsuto contrasta com seus tiques e trejeitos hesitantes, cercado de pernas de vedetes. Um clássico!



Segue uma tradução ao pé da letra e de perninhas quebradas de Tu veux ou tu veux pas

Você Quer ou Não Quer


Você quer ou não quer
Se quiser, está bom
Se não quer, não está tão mal
Se não quiser
Não vou ficar doente
Mas me responda pra mim
Não ou sim
É assim ou assado
Ou você quer ou não quer

Você quer ou não quer
Você diz preto e depois diz branco
Se é preto, é preto
Mas se é branco, é branco
É preto ou branco
Mas não pode ser preto e branco
É assim ou assado
Ou você quer ou não quer

A vida é uma ginástica
E é como a música
Tem o mal e tem o bom
A vida, para mim é magnífica
VOcê não deve complicá-la
COm suas hesitações

REFRÃO

A vida pode ser muito doce
Com a condição que você a leve
Para a direção certa
A vida está nos chamando
Com você ela será bela
Se você voltar pra casa


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Na época, a canção também foi regravada por Brigitte Bardot, em seus tempos de vedete, como pode ser visto em http://www.youtube.com/watch?v=kudPrKgknE8.
Mais recentemente, uma  "wanna be vedete" dos anos 2000 também regravou: http://www.youtube.com/watch?v=B56_a7V_Kcw.
Nada digno de nota...


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Ponta cabeça

Olha a Marta criticando o aumento de impostos proposto pelo DEM.... Acho que eu tô ficando velho mesmo....


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TENDÊNCIAS/DEBATES

A experiência que não se quer aprender

MARTA SUPLICY



Perdemos a eleição. Entre as razões, um grave equívoco. E essa percepção é que Kassab parece não ter, deixando de aprender com o passado



UMA DAS lições que se estuda na psicanálise é a capacidade do indivíduo para aprender com seus erros e fracassos. Parece óbvio, mas não é. Constata-se tal falta de aprendizagem nas relações interpessoais e também na política, quando os erros próprios ou de antecessores são descartados sem nenhuma avaliação.
Lula, quando concorreu pela terceira vez à Presidência da República, ganhou não só pela conjuntura e pela bagagem acumulada mas também por repensar e redirecionar o que não correspondia aos anseios e receios da população.
A lógica vale para São Paulo, uma cidade desafiadora que, ao contrário do que se pensa, tem recurso de menos para os problemas que enfrenta. Acompanhando a gestão Serra-Kassab como cidadã, mas com a experiência de já ter governado esta cidade, constato o abandono do transporte, da limpeza, da merenda de boa qualidade e dos mais pobres.
A gestão de 2001-2004 foi responsável por grandes avanços e inovações na cidade. Apesar de tudo, perdemos a eleição. Foram vários os fatores: da campanha oportunista da oposição até um grave equívoco.
E essa percepção é que Kassab parece não ter, deixando de aprender com o passado. A situação, de forma alguma, é a mesma. Pegamos uma prefeitura endividada e abandonada nos dois últimos anos da gestão Pitta.
Tentando consertar tudo de uma vez, desencadeamos uma série de ações necessárias e importantes para enfrentar uma cidade arrasada. E entregamos a prefeitura organizada, com inúmeros projetos inovadores e fundamentais, como os corredores de ônibus, e com as finanças saneadas.
Situação bem diversa aquela e esta, incluindo a oportunidade de governar por oito anos. Pois bem. Nós recebemos a PGV (Planta Genérica de Valores) e o IPTU sem reajustes realizados nas gestões anteriores e corrigimos de forma integral, em um momento de enorme dificuldade econômica na cidade e no país. A PGV foi ajustada em 2001.
Deveria ter sido reajustada na sequência, para evitar uma paulada no contribuinte. Mas não o foi. O atual governo, por motivos eleitoreiros, não fez o dever de casa e, agora, tenta fazê-lo de uma única vez, sem aprender com a experiência passada, que mostrou a dificuldade dos cidadãos diante de um aumento tão vultoso.
A cidade carece desse reajuste. Não tê-lo feito paulatinamente compromete seu orçamento. Entretanto, o prefeito não se dá conta de que ajustar a PGV e o IPTU da forma que propõe fará sofrer uma parcela grande da população, pois esse aumento vai afetar de forma injusta e muito mais violenta a cidade toda. A experiência mostrou que devemos ser extremamente cuidadosos quando mexemos com o bolso do povo.
Com o leite derramado, ainda se pode aprender com as experiências anteriores e tornar a situação menos penosa para os paulistanos.
São Paulo é dinâmica. Nesses anos que se passaram, algumas áreas se valorizaram e outras perderam valor. Essa revisão é necessária tanto pela questão orçamentária quanto por justiça. Para tanto, foi criado o IPT U progressivo, que propõe que quem tem mais benefícios pague mais, e quem tem menos pague menos.
Entretanto, a cidade não é feita só de casas. Ela é habitada por pessoas, e essas pessoas, por vezes, embora morem em área que tenha se valorizado, não ganham o suficiente para manter sua residência com o aumento.
Alguns diriam: "Que se mudem, então". Essa posição é equivocada, pois nada é tão simples -por uma questão de raízes e por não poder ser feito do dia para a noite.
No caso do centro, como a Nova Luz, onde alguns benefícios ocorreram, mas nada ainda resultou de concreto para os moradores e comerciantes, o aumento proposto de 80% é ridículo, pois se cobra o que deveria ser, mas não é a realidade. É impagável pelos que lá hoje habitam.
Faça-se o reajuste da PGV e diminua-se a alíquota cobrada de 1% para 0,8%, avalie-se os casos específicos de algumas regiões em que o sonho da prefeitura ainda não saiu do papel -e mesmo assim parte da população terá dificuldade em arcar com o resultado dessa imprevidência.
Governando com 41% a mais no Orçamento do que a gestão de 2001-2004, não dá para entender a incapacidade de aprender com o passado e a falta de sensibilidade política.
A Câmara aprovou em primeiro turno a proposta integral do prefeito, com aumentos que vão até 40% para residências e 60% para o comércio.
Seria bom que não somente o prefeito se desse conta do passado, mas também os vereadores. Como diria Wilfred Bion, um dos pilares da psicanálise, aprender com a experiência é fundamental para o desenvolvimento humano. Eu acrescentaria: para os políticos, essa não aprendizagem pode ser fatal.

MARTA SUPLICY foi prefeita da cidade de São Paulo pelo PT (2001-2004) e ministra do Turismo (2007-2008).

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ecobobos

Agora os caras começaram a dizer que eu pareço com esse cara


Confesso que a cara de bobo é muito parecida, mas pelo menos eu não sou ECObobo... Como diz um amigo, a linha entre o cult e o babaca é tênue....

Kill Bill


terça-feira, 24 de novembro de 2009

Sapão

Sempre ele...

ENTREVISTA DA 2ª - ANTONIO DELFIM NETTO

Ação de Lula afastou crise, apesar de erros do governo
Para ex-ministro, papel pessoal do presidente ao estimular brasileiro a consumir foi decisivo e compensou políticas monetária e fiscal equivocadas

Leticia Moreira/Folha Imagem

Delfim Netto em seu escritório no Pacaembu (SP)

HÁ 50 anos o economista Antonio Delfim Netto publicou "O Problema do Café no Brasil", sua tese de doutorado. Pelo uso da história na abordagem de um dilema de comércio agrícola, a obra virou um clássico do pensamento econômico brasileiro. Em entrevista à Folha, Delfim diz que, hoje, o texto nem seria publicado. "Não seria aceito em lugar nenhum. Estamos controlados por uma matemática bastarda. Há um domínio do brilhantismo, da técnica manipuladora sobre o realismo." Aos 81 anos, o ex-ministro da Fazenda recupera-se de uma cirurgia para colocação de stents em duas artérias. "Aprendi a respeitar os médicos. São muito menos ortodoxos do que os economistas formados na visão única", diz ele.

MARCIO AITH
DA REPORTAGEM LOCAL

Delfim acha que o Brasil saiu da crise não exatamente por medidas técnicas originais, mas porque Lula, pessoalmente, dissipou o pessimismo. "Com incrível ousadia, ele pôs todo o seu patrimônio em risco pedindo aos brasileiros que consumissem. Deu certo." O ex-ministro, no entanto, enxerga um problema sob a névoa da euforia reinante no país. Segundo ele, será difícil financiar o inchaço de gastos públicos irreversíveis, que se sedimentam "geologicamente" no Orçamento. "Está armado aí um enrosco da maior gravidade, pois temos a mais rápida redução da taxa de fertilidade no Ocidente."


FOLHA - Em um recente artigo, o senhor tratou o aparelhamento do Estado brasileiro como um defeito comum a todos os governos, não apenas àqueles com DNA sindical, como o atual. O aparelhamento, então, não tem credo ou ideologia?
ANTONIO DELFIM NETTO - Continuo com a convicção de que sindicato mais política é igual à corrupção. Essa fórmula, descoberta no século passado pelo sociólogo alemão Robert Michels, continua válida. Eu só quis dizer que cada governo aparelha a seu modo, por motivos diferentes. Veja o caso de Brasília. Na primeira leva, a cidade recebeu mineiros. Depois vieram maranhenses, alagoanos e paulistas. Agora, sindicalistas. O grande drama desse problema é que ninguém sai, só entra. É isso. Se fizermos uma análise geológica de Brasília, fatiagráfica, notaremos camadas que se superpõem. E qual é a regra do jogo? É a nova camada respeitar cuidadosamente os benefícios recebidos pela que está sendo substituída.

FOLHA - Qual é o efeito desse acúmulo?
DELFIM NETTO - Isso está levando o Estado a uma situação de quase insolvência fiscal. Está armado aí um enrosco da maior gravidade. O problema mais grave é da sustentação do sistema da seguridade social e da Previdência. Não é possível carregar um país onde o salário médio do aposentado do Judiciário é mais de 30 vezes o salário do trabalhador aposentado no INSS. No Legislativo, é 20 vezes; no Executivo, 12 a 14. Uma casta se instalou em Brasília e, com as camadas de aparelhamento, aprofundou essa divergência. Não há controle sobre o serviço público.

FOLHA - Qual é a evidência de que essa situação é insustentável?
DELFIM NETTO - É simples. O Brasil vai ficar velho antes de ficar rico. A população brasileira vai começar a diminuir em 2035 ou 2040. Temos a mais rápida redução da taxa de fertilidade no Ocidente. A situação pode parecer confortável hoje, mas, olhando dez anos à frente, o quadro muda. Há, também sob o ponto de vista da análise demográfica, o risco do câmbio real fora da posição. Se perdurar, essa disfunção vai alterar a estrutura produtiva.
O Brasil, daqui a dez anos, vai ter 250 milhões de habitantes. Vai ter que dar emprego razoável para 140 milhões de pessoas. Se essa gente não receber oportunidades de emprego com remuneração razoável, não tem solução. Esses empregos não virão da agricultura. Só a indústria e os serviços podem dar conta disso. E o câmbio errado destrói esses setores.

FOLHA - Como o governo lida com essas questões?
DELFIM NETTO - Só agora o governo está se mexendo para resolver o problema do câmbio. Mas ainda há aqueles que acham, sem evidência empírica, que não se pode atuar para consertá-lo. Uma imbecilidade. Quanto aos gastos públicos, o comportamento tanto do Executivo como do Congresso é apavorante. Estudo feito pelo competente economista José Roberto Afonso, ligado ao PSDB, aponta que os projetos malucos em tramitação no Congresso, além das maluquices do Executivo, representam uma despesa pública adicional de mais de R$ 100 bilhões por ano.

FOLHA - Mas não é natural aumentar gasto público na crise? Não é disso que se trata a política anticíclica?
DELFIM NETTO - No mundo inteiro a política anticíclica termina quando a demanda privada volta ao nível anterior. Aqui ela continua carregando o custeio depois de terminado o ciclo. No Brasil, política anticíclica nunca é anticíclica.

FOLHA - Mas e o sucesso do país no enfrentamento à crise?
DELFIM NETTO - O país se recuperou mesmo tendo políticas fiscais e monetárias erradas. O diferencial foi o bate-caixa do Lula. O presidente liderou o país ao pedir aos brasileiros que continuassem a consumir. Nenhum economista ousaria fazer isso. Seria considerado um louco heterodoxo. Além disso, o Brasil havia melhorado muito. Na verdade, a Constituição de 1988, apesar de seus exageros, de ter inventado gastos que não cabiam no PIB, criou uma estrutura institucional que está sendo seguida. O Brasil é o país com melhor situação institucional entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China). Somos uma democracia constituída.

FOLHA - E o risco de autoritarismo popular apontado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?
DELFIM - O Fernando é um sujeito extremamente inteligente, esperto, e não consegue viver sem um alto protagonismo público. É um provocador enorme. Ele se diverte com esse negócio. As pessoas imaginam que ele está empenhado num estudo sociológico. Que nada. Ele está empenhado numa diversão. E, quando o sujeito responde agressivamente ao Fernando, ele está cumprindo a missão que o Fernando impôs a ele. Esse alerta que ele fez não ajuda em nada.

FOLHA - Por que não ajuda?
DELFIM - Se fosse ele o presidente, teria aceitado o terceiro mandato e destruído a democracia. Essa foi a inteligência do Lula. Resistir a um terceiro mandato a despeito de tudo o que fizeram para que ele aceitasse. Isso faz uma diferença.
Outra injustiça do Fernando é ignorar que o Lula teve um papel decisivo na rápida superação da crise. Nenhum intelectual, nenhuma pessoa que pretenda ter um conhecimento maior de economia teria assumido o risco que o Lula assumiu. Todos pediram para encolher, para pisar no freio. Os banqueiros privados foram os primeiros. O Lula pôs todo o seu patrimônio em risco dizendo: consuma, o desemprego só virá se você não consumir.

FOLHA - Qual é o potencial de transferência de votos do presidente Lula?
DELFIM - A ministra Dilma é uma administradora competente. Quem duvidar disso vai se decepcionar. Mas a transferência de votos não é segura. Tivemos uma prova empírica disso com a última derrota eleitoral da Marta [Suplicy] em São Paulo (nas eleições municipais de 2008). O Lula passeou de mãos dadas com ela duas vezes na cidade, na zona leste. Na segunda vez, trouxe cinco governadores com ele. E qual foi o resultado? Muito pequeno. Talvez no Nordeste você tenha um efeito maior, mas, na verdade, onde conta, do rio Grande para baixo, o poder de transferência parece não valer tanto.

FOLHA - Como o sr. avalia a cautela do governador Serra em se atirar na disputa?
DELFIM - O Serra é sem dúvida um grande administrador, tem ideias próprias que são bastante razoáveis e está fazendo um bom governo. É um competidor muito forte e está se cuidando. Seu problema é que o PSDB não se decidiu. Tem o Aécio nesse processo, que não é só um candidato "redoutable" [temível], mas um agente político eficiente, um centrifugador. Enquanto o PSDB não se decidir, os dois agirão com cuidado.

FOLHA - O que está em jogo nas eleições do ano que vem?
DELFIM - Acho que todos têm que entender, inclusive a Dilma, que o próximo governo não será uma continuação do Lula. O próximo governo terá de enfrentar os problemas do século 21, que embute uma mudança radical na estrutura produtiva. Principalmente na maneira como vamos fornecer energia para o desenvolvimento.

FOLHA - Há 50 anos o sr. publicou "O Problema do Café no Brasil". Como seria recebido hoje um trabalho econômico com a mesma abordagem histórica?
DELFIM - Não seria aceito em lugar nenhum. Hoje estamos controlados por uma matemática bastarda. Há um domínio do brilhantismo, da técnica manipuladora sobre o realismo. Naquele tempo eu usava a matemática de forma moderada. Não havia, como há hoje, nenhum axioma que viola a realidade. Não redigi o artigo com lemas, pois a economia trata de dilemas. A matemática é que trata de lemas.

FOLHA - Como essa visão matemática afeta a análise econômica?
DELFIM - Em novembro de 2008, a rainha [Elizabeth 2ª, do Reino Unido] chegou à London School of Economics e disse: "A única coisa que eu quero saber é o seguinte: há um século os senhores estão aqui estudando. Como é que não previram essa crise?". Vários grupos de professores, então, prepararam respostas a ela. Os neoclássicos detectaram problemas de cálculos, erros em fórmulas. Já aqueles de orientação mais keynesiana disseram simplesmente que os economistas haviam abandonado a economia. Substituíram-na por uma matemática exagerada. Esqueceram a história, esqueceram a filosofia, esqueceram a psicologia, a geografia. É isso mesmo.

FOLHA - O sr. teve um problema de saúde recente. Teve mais sorte com médicos do que com economistas?
DELFIM - Nunca tinha entrado num hospital, nunca tinha feito uma operação. Aos 81 anos, costumo dizer, tive minha primeira experiência. Fiquei dois meses baleado, mas estou bem, estou voltando a trabalhar. Aprendi a respeitar os médicos muito mais do que respeitava. O médico é muito menos ortodoxo do que um economista formado na visão única.

sábado, 14 de novembro de 2009

Feliz Natal

Pra quem conhece a minha parede, eis a árvore de natal da Taís


De Caixa suspensa

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ô.Ô

Théo!! Sexta-feira treze!!!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Falta Gestão?

A partir desta semana, passarei cerca de 15 dias na Secretaria de Estadual de Educação para analisar o ciclo de uma política pública a partir de um Programa. O Programa que eu escolhi foi o SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar de São Paulo). 

Esta minha visita integra a última fase do Curso de Formação para Especialistas em Políticas Públicas, um cargo que acaba de ser criado pelo Governo do Estado de São Paulo, na tentativa de fortalecer a burocracia do Estado, aumentando a capacidade de fazer do Estado. 

Por ironia, justamente ontem, a SEE atrasou em uma semana a aplicação do SARESP 2009 por conta de atrasos na impressão e distribuição dos exames. Imagino que chegaremos à SEE em meio a uma ligeira bagunça...  Esse atraso pode ser utilizado politicamente como resposta do PT aos problemas enfrentados no atraso do ENEM, caso que guarda semelhanças com o caso paulista (apesar da escala reduzida).

Achei que o destaque da Folha foi bem reduzido.. O atraso seria prato cheio pra falar da incompetência gerencial da SEE, mas parece que a reportagem preferiu comprar a tese de que a "culpa" não foi do Governo, mas sim da instituição contratada para o serviço de impressão e distribuição. No caso do ENEM, a abordagem da Folha foi bem diferente.. Tucanaram a incompetência!!! 

Assim que formar minhas impressões, escrevo alguma coisa.

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Da FSP  de 10/11

SP adia exame de 2,5 milhões de alunosProvas do Saresp, que seriam aplicadas de hoje a quinta, ficam para a semana que vem devido ao atraso na distribuição às escolas

Secretário Paulo Renato culpa o CAEd, instituição contratada para imprimir, distribuir e aplicar as provas, que assume responsabilidade 

RICARDO WESTIN
DA REPORTAGEM LOCAL 

Em cima da hora, o governo de São Paulo adiou as provas do Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) que seriam aplicadas hoje, amanhã e na quinta-feira a 2,5 milhões de alunos de escolas públicas e particulares de todo o Estado.
O adiamento ocorreu porque o CAEd (Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação), instituição contratada para imprimir, distribuir e aplicar as provas, falhou no cumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Educação.
Os exames agora serão aplicados na terça, na quarta e na quinta da semana que vem. Os locais e os horários são os mesmos previstos inicialmente.
Aplicado pela primeira vez em 1996, o Saresp mede a qualidade das escolas estaduais e ajuda a compor o Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) de cada escola. Esse índice define um bônus dado aos professores e funcionários. Dependendo do Idesp da escola, o bônus chega a até 2,9 salários extras no ano.
O incidente no Saresp ocorre quase 40 dias depois do adiamento do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), prova do Ministério da Educação que vazou às vésperas da aplicação.
Na época, o secretário estadual da Educação, Paulo Renato Souza, criticou o MEC. Disse que foi uma "falha lamentável" e que o Enem "não é uma coisa com que se possa brincar".
Ontem, o secretário afirmou que, no caso do Saresp, a culpa é só da instituição contratada. "O grande problema foi que o CAEd nos omitiu os problemas. Tivemos uma reunião na quarta passada e não nos disseram nada. Só nos informaram das dificuldades no sábado à noite, quando restava pouco tempo."
Primeiro, o CAEd teve problemas com a gráfica contratada em São Paulo. Uma das impressoras quebrou a poucas semanas da aplicação do Saresp. A nova gráfica ficou com pouco tempo para imprimir as provas.
No sábado, o CAEd ligou para Paulo Renato para avisar que não daria conta de distribuir as provas a tempo. O secretário chegou a enviar 150 pessoas no domingo para ajudar a grampear e empacotar o material. Apesar disso, metade das provas ainda não havia sido enviada às escolas ontem de manhã.
"O atraso não é culpa da Secretaria da Educação. É culpa do CAEd", disse Manuel Palácios, o encarregado do CAEd pela realização do exame.
O contrato prevê uma multa para cada dia de atraso no Saresp. A secretaria e o CAEd não informaram à Folha o valor.
O contrato para a execução do exame é de R$ 25 milhões. O CAEd foi escolhido por licitação. A instituição é ligada à Universidade Federal de Juiz de Fora e aplica exames similares em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará.
O Saresp inclui questões de português, matemática, história e geografia. É obrigatório para as escolas estaduais e voluntário para as municipais e particulares. Participam alunos dos ensinos fundamental (segunda, quarta, sexta e oitava séries) e médio (terceiro ano).