segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Ponta cabeça

Olha a Marta criticando o aumento de impostos proposto pelo DEM.... Acho que eu tô ficando velho mesmo....


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TENDÊNCIAS/DEBATES

A experiência que não se quer aprender

MARTA SUPLICY



Perdemos a eleição. Entre as razões, um grave equívoco. E essa percepção é que Kassab parece não ter, deixando de aprender com o passado



UMA DAS lições que se estuda na psicanálise é a capacidade do indivíduo para aprender com seus erros e fracassos. Parece óbvio, mas não é. Constata-se tal falta de aprendizagem nas relações interpessoais e também na política, quando os erros próprios ou de antecessores são descartados sem nenhuma avaliação.
Lula, quando concorreu pela terceira vez à Presidência da República, ganhou não só pela conjuntura e pela bagagem acumulada mas também por repensar e redirecionar o que não correspondia aos anseios e receios da população.
A lógica vale para São Paulo, uma cidade desafiadora que, ao contrário do que se pensa, tem recurso de menos para os problemas que enfrenta. Acompanhando a gestão Serra-Kassab como cidadã, mas com a experiência de já ter governado esta cidade, constato o abandono do transporte, da limpeza, da merenda de boa qualidade e dos mais pobres.
A gestão de 2001-2004 foi responsável por grandes avanços e inovações na cidade. Apesar de tudo, perdemos a eleição. Foram vários os fatores: da campanha oportunista da oposição até um grave equívoco.
E essa percepção é que Kassab parece não ter, deixando de aprender com o passado. A situação, de forma alguma, é a mesma. Pegamos uma prefeitura endividada e abandonada nos dois últimos anos da gestão Pitta.
Tentando consertar tudo de uma vez, desencadeamos uma série de ações necessárias e importantes para enfrentar uma cidade arrasada. E entregamos a prefeitura organizada, com inúmeros projetos inovadores e fundamentais, como os corredores de ônibus, e com as finanças saneadas.
Situação bem diversa aquela e esta, incluindo a oportunidade de governar por oito anos. Pois bem. Nós recebemos a PGV (Planta Genérica de Valores) e o IPTU sem reajustes realizados nas gestões anteriores e corrigimos de forma integral, em um momento de enorme dificuldade econômica na cidade e no país. A PGV foi ajustada em 2001.
Deveria ter sido reajustada na sequência, para evitar uma paulada no contribuinte. Mas não o foi. O atual governo, por motivos eleitoreiros, não fez o dever de casa e, agora, tenta fazê-lo de uma única vez, sem aprender com a experiência passada, que mostrou a dificuldade dos cidadãos diante de um aumento tão vultoso.
A cidade carece desse reajuste. Não tê-lo feito paulatinamente compromete seu orçamento. Entretanto, o prefeito não se dá conta de que ajustar a PGV e o IPTU da forma que propõe fará sofrer uma parcela grande da população, pois esse aumento vai afetar de forma injusta e muito mais violenta a cidade toda. A experiência mostrou que devemos ser extremamente cuidadosos quando mexemos com o bolso do povo.
Com o leite derramado, ainda se pode aprender com as experiências anteriores e tornar a situação menos penosa para os paulistanos.
São Paulo é dinâmica. Nesses anos que se passaram, algumas áreas se valorizaram e outras perderam valor. Essa revisão é necessária tanto pela questão orçamentária quanto por justiça. Para tanto, foi criado o IPT U progressivo, que propõe que quem tem mais benefícios pague mais, e quem tem menos pague menos.
Entretanto, a cidade não é feita só de casas. Ela é habitada por pessoas, e essas pessoas, por vezes, embora morem em área que tenha se valorizado, não ganham o suficiente para manter sua residência com o aumento.
Alguns diriam: "Que se mudem, então". Essa posição é equivocada, pois nada é tão simples -por uma questão de raízes e por não poder ser feito do dia para a noite.
No caso do centro, como a Nova Luz, onde alguns benefícios ocorreram, mas nada ainda resultou de concreto para os moradores e comerciantes, o aumento proposto de 80% é ridículo, pois se cobra o que deveria ser, mas não é a realidade. É impagável pelos que lá hoje habitam.
Faça-se o reajuste da PGV e diminua-se a alíquota cobrada de 1% para 0,8%, avalie-se os casos específicos de algumas regiões em que o sonho da prefeitura ainda não saiu do papel -e mesmo assim parte da população terá dificuldade em arcar com o resultado dessa imprevidência.
Governando com 41% a mais no Orçamento do que a gestão de 2001-2004, não dá para entender a incapacidade de aprender com o passado e a falta de sensibilidade política.
A Câmara aprovou em primeiro turno a proposta integral do prefeito, com aumentos que vão até 40% para residências e 60% para o comércio.
Seria bom que não somente o prefeito se desse conta do passado, mas também os vereadores. Como diria Wilfred Bion, um dos pilares da psicanálise, aprender com a experiência é fundamental para o desenvolvimento humano. Eu acrescentaria: para os políticos, essa não aprendizagem pode ser fatal.

MARTA SUPLICY foi prefeita da cidade de São Paulo pelo PT (2001-2004) e ministra do Turismo (2007-2008).

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ecobobos

Agora os caras começaram a dizer que eu pareço com esse cara


Confesso que a cara de bobo é muito parecida, mas pelo menos eu não sou ECObobo... Como diz um amigo, a linha entre o cult e o babaca é tênue....

Kill Bill


terça-feira, 24 de novembro de 2009

Sapão

Sempre ele...

ENTREVISTA DA 2ª - ANTONIO DELFIM NETTO

Ação de Lula afastou crise, apesar de erros do governo
Para ex-ministro, papel pessoal do presidente ao estimular brasileiro a consumir foi decisivo e compensou políticas monetária e fiscal equivocadas

Leticia Moreira/Folha Imagem

Delfim Netto em seu escritório no Pacaembu (SP)

HÁ 50 anos o economista Antonio Delfim Netto publicou "O Problema do Café no Brasil", sua tese de doutorado. Pelo uso da história na abordagem de um dilema de comércio agrícola, a obra virou um clássico do pensamento econômico brasileiro. Em entrevista à Folha, Delfim diz que, hoje, o texto nem seria publicado. "Não seria aceito em lugar nenhum. Estamos controlados por uma matemática bastarda. Há um domínio do brilhantismo, da técnica manipuladora sobre o realismo." Aos 81 anos, o ex-ministro da Fazenda recupera-se de uma cirurgia para colocação de stents em duas artérias. "Aprendi a respeitar os médicos. São muito menos ortodoxos do que os economistas formados na visão única", diz ele.

MARCIO AITH
DA REPORTAGEM LOCAL

Delfim acha que o Brasil saiu da crise não exatamente por medidas técnicas originais, mas porque Lula, pessoalmente, dissipou o pessimismo. "Com incrível ousadia, ele pôs todo o seu patrimônio em risco pedindo aos brasileiros que consumissem. Deu certo." O ex-ministro, no entanto, enxerga um problema sob a névoa da euforia reinante no país. Segundo ele, será difícil financiar o inchaço de gastos públicos irreversíveis, que se sedimentam "geologicamente" no Orçamento. "Está armado aí um enrosco da maior gravidade, pois temos a mais rápida redução da taxa de fertilidade no Ocidente."


FOLHA - Em um recente artigo, o senhor tratou o aparelhamento do Estado brasileiro como um defeito comum a todos os governos, não apenas àqueles com DNA sindical, como o atual. O aparelhamento, então, não tem credo ou ideologia?
ANTONIO DELFIM NETTO - Continuo com a convicção de que sindicato mais política é igual à corrupção. Essa fórmula, descoberta no século passado pelo sociólogo alemão Robert Michels, continua válida. Eu só quis dizer que cada governo aparelha a seu modo, por motivos diferentes. Veja o caso de Brasília. Na primeira leva, a cidade recebeu mineiros. Depois vieram maranhenses, alagoanos e paulistas. Agora, sindicalistas. O grande drama desse problema é que ninguém sai, só entra. É isso. Se fizermos uma análise geológica de Brasília, fatiagráfica, notaremos camadas que se superpõem. E qual é a regra do jogo? É a nova camada respeitar cuidadosamente os benefícios recebidos pela que está sendo substituída.

FOLHA - Qual é o efeito desse acúmulo?
DELFIM NETTO - Isso está levando o Estado a uma situação de quase insolvência fiscal. Está armado aí um enrosco da maior gravidade. O problema mais grave é da sustentação do sistema da seguridade social e da Previdência. Não é possível carregar um país onde o salário médio do aposentado do Judiciário é mais de 30 vezes o salário do trabalhador aposentado no INSS. No Legislativo, é 20 vezes; no Executivo, 12 a 14. Uma casta se instalou em Brasília e, com as camadas de aparelhamento, aprofundou essa divergência. Não há controle sobre o serviço público.

FOLHA - Qual é a evidência de que essa situação é insustentável?
DELFIM NETTO - É simples. O Brasil vai ficar velho antes de ficar rico. A população brasileira vai começar a diminuir em 2035 ou 2040. Temos a mais rápida redução da taxa de fertilidade no Ocidente. A situação pode parecer confortável hoje, mas, olhando dez anos à frente, o quadro muda. Há, também sob o ponto de vista da análise demográfica, o risco do câmbio real fora da posição. Se perdurar, essa disfunção vai alterar a estrutura produtiva.
O Brasil, daqui a dez anos, vai ter 250 milhões de habitantes. Vai ter que dar emprego razoável para 140 milhões de pessoas. Se essa gente não receber oportunidades de emprego com remuneração razoável, não tem solução. Esses empregos não virão da agricultura. Só a indústria e os serviços podem dar conta disso. E o câmbio errado destrói esses setores.

FOLHA - Como o governo lida com essas questões?
DELFIM NETTO - Só agora o governo está se mexendo para resolver o problema do câmbio. Mas ainda há aqueles que acham, sem evidência empírica, que não se pode atuar para consertá-lo. Uma imbecilidade. Quanto aos gastos públicos, o comportamento tanto do Executivo como do Congresso é apavorante. Estudo feito pelo competente economista José Roberto Afonso, ligado ao PSDB, aponta que os projetos malucos em tramitação no Congresso, além das maluquices do Executivo, representam uma despesa pública adicional de mais de R$ 100 bilhões por ano.

FOLHA - Mas não é natural aumentar gasto público na crise? Não é disso que se trata a política anticíclica?
DELFIM NETTO - No mundo inteiro a política anticíclica termina quando a demanda privada volta ao nível anterior. Aqui ela continua carregando o custeio depois de terminado o ciclo. No Brasil, política anticíclica nunca é anticíclica.

FOLHA - Mas e o sucesso do país no enfrentamento à crise?
DELFIM NETTO - O país se recuperou mesmo tendo políticas fiscais e monetárias erradas. O diferencial foi o bate-caixa do Lula. O presidente liderou o país ao pedir aos brasileiros que continuassem a consumir. Nenhum economista ousaria fazer isso. Seria considerado um louco heterodoxo. Além disso, o Brasil havia melhorado muito. Na verdade, a Constituição de 1988, apesar de seus exageros, de ter inventado gastos que não cabiam no PIB, criou uma estrutura institucional que está sendo seguida. O Brasil é o país com melhor situação institucional entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China). Somos uma democracia constituída.

FOLHA - E o risco de autoritarismo popular apontado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?
DELFIM - O Fernando é um sujeito extremamente inteligente, esperto, e não consegue viver sem um alto protagonismo público. É um provocador enorme. Ele se diverte com esse negócio. As pessoas imaginam que ele está empenhado num estudo sociológico. Que nada. Ele está empenhado numa diversão. E, quando o sujeito responde agressivamente ao Fernando, ele está cumprindo a missão que o Fernando impôs a ele. Esse alerta que ele fez não ajuda em nada.

FOLHA - Por que não ajuda?
DELFIM - Se fosse ele o presidente, teria aceitado o terceiro mandato e destruído a democracia. Essa foi a inteligência do Lula. Resistir a um terceiro mandato a despeito de tudo o que fizeram para que ele aceitasse. Isso faz uma diferença.
Outra injustiça do Fernando é ignorar que o Lula teve um papel decisivo na rápida superação da crise. Nenhum intelectual, nenhuma pessoa que pretenda ter um conhecimento maior de economia teria assumido o risco que o Lula assumiu. Todos pediram para encolher, para pisar no freio. Os banqueiros privados foram os primeiros. O Lula pôs todo o seu patrimônio em risco dizendo: consuma, o desemprego só virá se você não consumir.

FOLHA - Qual é o potencial de transferência de votos do presidente Lula?
DELFIM - A ministra Dilma é uma administradora competente. Quem duvidar disso vai se decepcionar. Mas a transferência de votos não é segura. Tivemos uma prova empírica disso com a última derrota eleitoral da Marta [Suplicy] em São Paulo (nas eleições municipais de 2008). O Lula passeou de mãos dadas com ela duas vezes na cidade, na zona leste. Na segunda vez, trouxe cinco governadores com ele. E qual foi o resultado? Muito pequeno. Talvez no Nordeste você tenha um efeito maior, mas, na verdade, onde conta, do rio Grande para baixo, o poder de transferência parece não valer tanto.

FOLHA - Como o sr. avalia a cautela do governador Serra em se atirar na disputa?
DELFIM - O Serra é sem dúvida um grande administrador, tem ideias próprias que são bastante razoáveis e está fazendo um bom governo. É um competidor muito forte e está se cuidando. Seu problema é que o PSDB não se decidiu. Tem o Aécio nesse processo, que não é só um candidato "redoutable" [temível], mas um agente político eficiente, um centrifugador. Enquanto o PSDB não se decidir, os dois agirão com cuidado.

FOLHA - O que está em jogo nas eleições do ano que vem?
DELFIM - Acho que todos têm que entender, inclusive a Dilma, que o próximo governo não será uma continuação do Lula. O próximo governo terá de enfrentar os problemas do século 21, que embute uma mudança radical na estrutura produtiva. Principalmente na maneira como vamos fornecer energia para o desenvolvimento.

FOLHA - Há 50 anos o sr. publicou "O Problema do Café no Brasil". Como seria recebido hoje um trabalho econômico com a mesma abordagem histórica?
DELFIM - Não seria aceito em lugar nenhum. Hoje estamos controlados por uma matemática bastarda. Há um domínio do brilhantismo, da técnica manipuladora sobre o realismo. Naquele tempo eu usava a matemática de forma moderada. Não havia, como há hoje, nenhum axioma que viola a realidade. Não redigi o artigo com lemas, pois a economia trata de dilemas. A matemática é que trata de lemas.

FOLHA - Como essa visão matemática afeta a análise econômica?
DELFIM - Em novembro de 2008, a rainha [Elizabeth 2ª, do Reino Unido] chegou à London School of Economics e disse: "A única coisa que eu quero saber é o seguinte: há um século os senhores estão aqui estudando. Como é que não previram essa crise?". Vários grupos de professores, então, prepararam respostas a ela. Os neoclássicos detectaram problemas de cálculos, erros em fórmulas. Já aqueles de orientação mais keynesiana disseram simplesmente que os economistas haviam abandonado a economia. Substituíram-na por uma matemática exagerada. Esqueceram a história, esqueceram a filosofia, esqueceram a psicologia, a geografia. É isso mesmo.

FOLHA - O sr. teve um problema de saúde recente. Teve mais sorte com médicos do que com economistas?
DELFIM - Nunca tinha entrado num hospital, nunca tinha feito uma operação. Aos 81 anos, costumo dizer, tive minha primeira experiência. Fiquei dois meses baleado, mas estou bem, estou voltando a trabalhar. Aprendi a respeitar os médicos muito mais do que respeitava. O médico é muito menos ortodoxo do que um economista formado na visão única.

sábado, 14 de novembro de 2009

Feliz Natal

Pra quem conhece a minha parede, eis a árvore de natal da Taís


De Caixa suspensa

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ô.Ô

Théo!! Sexta-feira treze!!!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Falta Gestão?

A partir desta semana, passarei cerca de 15 dias na Secretaria de Estadual de Educação para analisar o ciclo de uma política pública a partir de um Programa. O Programa que eu escolhi foi o SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar de São Paulo). 

Esta minha visita integra a última fase do Curso de Formação para Especialistas em Políticas Públicas, um cargo que acaba de ser criado pelo Governo do Estado de São Paulo, na tentativa de fortalecer a burocracia do Estado, aumentando a capacidade de fazer do Estado. 

Por ironia, justamente ontem, a SEE atrasou em uma semana a aplicação do SARESP 2009 por conta de atrasos na impressão e distribuição dos exames. Imagino que chegaremos à SEE em meio a uma ligeira bagunça...  Esse atraso pode ser utilizado politicamente como resposta do PT aos problemas enfrentados no atraso do ENEM, caso que guarda semelhanças com o caso paulista (apesar da escala reduzida).

Achei que o destaque da Folha foi bem reduzido.. O atraso seria prato cheio pra falar da incompetência gerencial da SEE, mas parece que a reportagem preferiu comprar a tese de que a "culpa" não foi do Governo, mas sim da instituição contratada para o serviço de impressão e distribuição. No caso do ENEM, a abordagem da Folha foi bem diferente.. Tucanaram a incompetência!!! 

Assim que formar minhas impressões, escrevo alguma coisa.

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Da FSP  de 10/11

SP adia exame de 2,5 milhões de alunosProvas do Saresp, que seriam aplicadas de hoje a quinta, ficam para a semana que vem devido ao atraso na distribuição às escolas

Secretário Paulo Renato culpa o CAEd, instituição contratada para imprimir, distribuir e aplicar as provas, que assume responsabilidade 

RICARDO WESTIN
DA REPORTAGEM LOCAL 

Em cima da hora, o governo de São Paulo adiou as provas do Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) que seriam aplicadas hoje, amanhã e na quinta-feira a 2,5 milhões de alunos de escolas públicas e particulares de todo o Estado.
O adiamento ocorreu porque o CAEd (Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação), instituição contratada para imprimir, distribuir e aplicar as provas, falhou no cumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Educação.
Os exames agora serão aplicados na terça, na quarta e na quinta da semana que vem. Os locais e os horários são os mesmos previstos inicialmente.
Aplicado pela primeira vez em 1996, o Saresp mede a qualidade das escolas estaduais e ajuda a compor o Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) de cada escola. Esse índice define um bônus dado aos professores e funcionários. Dependendo do Idesp da escola, o bônus chega a até 2,9 salários extras no ano.
O incidente no Saresp ocorre quase 40 dias depois do adiamento do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), prova do Ministério da Educação que vazou às vésperas da aplicação.
Na época, o secretário estadual da Educação, Paulo Renato Souza, criticou o MEC. Disse que foi uma "falha lamentável" e que o Enem "não é uma coisa com que se possa brincar".
Ontem, o secretário afirmou que, no caso do Saresp, a culpa é só da instituição contratada. "O grande problema foi que o CAEd nos omitiu os problemas. Tivemos uma reunião na quarta passada e não nos disseram nada. Só nos informaram das dificuldades no sábado à noite, quando restava pouco tempo."
Primeiro, o CAEd teve problemas com a gráfica contratada em São Paulo. Uma das impressoras quebrou a poucas semanas da aplicação do Saresp. A nova gráfica ficou com pouco tempo para imprimir as provas.
No sábado, o CAEd ligou para Paulo Renato para avisar que não daria conta de distribuir as provas a tempo. O secretário chegou a enviar 150 pessoas no domingo para ajudar a grampear e empacotar o material. Apesar disso, metade das provas ainda não havia sido enviada às escolas ontem de manhã.
"O atraso não é culpa da Secretaria da Educação. É culpa do CAEd", disse Manuel Palácios, o encarregado do CAEd pela realização do exame.
O contrato prevê uma multa para cada dia de atraso no Saresp. A secretaria e o CAEd não informaram à Folha o valor.
O contrato para a execução do exame é de R$ 25 milhões. O CAEd foi escolhido por licitação. A instituição é ligada à Universidade Federal de Juiz de Fora e aplica exames similares em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará.
O Saresp inclui questões de português, matemática, história e geografia. É obrigatório para as escolas estaduais e voluntário para as municipais e particulares. Participam alunos dos ensinos fundamental (segunda, quarta, sexta e oitava séries) e médio (terceiro ano).

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Alice para Maria

Terminei hoje um livro de crônicas de um escritor mineiro, daqueles que se renderam ao Rio de Janeiro - mais especificamente à faixa que vai de Copacabana ao Leblon: Paulo Mendes Campos. Eu não o conhecia nem de nome. Foi indicação de uma pessoa querida.

[amoracaba.jpg]
Paulo Mendes Campos - O amor acaba

O livro é uma coletânea de crônicas escritas para jornais e revistas (o que carrega aquela sensação de anacronismo em algumas delas). Em muitas, me irritei com o  lirismo abusado e o "carioquismo" sem limites...

Em outras, por outro lado,  fiquei absolutamente encantado. As palavras de bolso para momentos difíceis ajudam a lidar com essa coisa toda, que não faz sentido algum. Eis aqui uma das queridas:


Para Maria da Graça 
Paulo Mendes Campos
  
Quando ela chegou à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu lhe dei de presente o livro Alice no País das Maravilhas. 

Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.

Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucuras. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade. A realidade, Maria, é louca.

Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala a verdade Dinah, já comeste um morcego?"

Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?" Essa indagação perplexa é lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.

A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. "A porta do poço!" Só as criaturas humanas, nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados, conseguem abrir uma porta bem fechada ou vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.

Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.

Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser séria ou profunda.

A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: "Oh, I beg your pardon" Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostarias de gatos se fosses eu?"

Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: "A corrida terminou! mas quem ganhou?" É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não conseguirá saber quem venceu. Para o bolso: se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhaste.

Disse o ratinho: "A minha história é longa e triste!" Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: "Minha vida daria um romance". Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance só é o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energeticamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: "Minha vida daria um romance!" Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.

Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: "Devo estar diminuindo de novo" Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.

E escuta a parábola perfeita: Alice tinha diminuido tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. Mas como tomar o pequeno por grande e grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom-humor.Toda a pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.

Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: "Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas".

Conclusão: a própria dor tem a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Churrascarrinho

A foto publicada na capa da  Folha de quarta-feira causou indignação de centenas de leitores, que madaram cartas indignadas para a redação do jornal. Eis a foto
    Marcelo Sayão/Efe



"Como assinante desta Folha, fiquei estarrecido ao deparar ontem com a foto em primeira página de um cadáver em um carrinho de supermercado, com aparentes marcas de tortura.
Será que uma foto desse tipo é realmente necessária na primeira página do maior jornal do país? Não. Nas páginas internas, seria de bom-tom.
É inconcebível que um jornal do porte da Folha se iguale aos piores "jornais" (se assim podemos chamá-los) dos cantões violentos do Rio. Por que ter que impor aos assinantes e leitores esse tipo de imagem? Será que somente a reportagem escrita não bastaria?
Como uma força centrípeta, violência visual só atrai mais revolta para uma boa parcela da população que se guia por apelos visuais, causando mais sensação de impunidade e desesperança."
MARCOS ANILTON MOREIRA DOS SANTOS (Rio de Janeiro, RJ)

 

"Terrorismo mesmo é colocar uma foto de 20 cm x 30 cm de crime na primeira página da Folha -sem texto jornalístico."
JOÃO PEREIRA MENDES (São Paulo, SP)


De fato, a foto é chocante! Mas é menos chocante que a realidade social que ela representa... Se a cena chocou o digno leitor da FSP, deve ter chocado mais ainda os que a presenciaram ao vivo. Muito triste...

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Mas, em meio à barbárie, lembrei de uma foto de uma amiga que fez uso racional de um carrinho de supermercado para assar outro tipo de carne... Detalhe: o churrasco rolou nas praias do RJ!!


Mais Promoção por mérito

Duas professoras pronunciaram-se hoje no Painel do Leitor da FSP pra reclamar do PLC29. A Leia é aposentada e ficou brava porque não vai participar da promoção por mérito. Legítimo o pleito por aumento de salário, mas, infelizmente, o "aumento" não vai valer para os aposentados porque o PLC29 não trata de aumento de salário. O objetivo da estruturação da promoção por mérito é outro.
Já a Magali está completamente equivocada. Não se trata de uma prova para a categoria dos professores. O que o Governo do Estado vai fazer é auferir a capacidade dos funcionários que ele contrata. Nada mais justo. Neste sentido, eu iria mais longe no projeto: demissão para os professores mal avaliados!

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Professores
"O governo do Estado de São Paulo prevê aumento de até 25% aos professores que se saírem bem nas provas de avaliação.
E nós, professores do "antigo primário", hoje logicamente aposentados, que alfabetizamos nossos alunos já na primeira série -pois isso era o normal-, não merecemos também aumento salarial?"
LEILA DO SANTOS QUEIROZ (Ribeirão Preto, SP)

 

"Pergunta que não quer calar: por que não existe lei que exija provas anuais de outras categorias que também têm curso superior (medicina, engenharia, jornalismo, odontologia...)? Por que só para os professores?
Já é velha a desculpa de que os profissionais da educação são despreparados. Façam um levantamento e comprovem: a maioria dos professores das redes públicas também atua na rede privada de ensino, que simplesmente não contrata profissionais que não forem suficientemente bons.
Estamos cansados de "pagar o pato" e de servir de bode expiatório para políticas ardilosamente programadas para empobrecer intelectualmente a população."
MAGALI APARECIDA LOVATTO NASCIMENTO (Manduri, SP)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Promoção por mérito

Conforme eu comentei aqui, a Folha de São Paulo não conseguiu repercutir a aprovação do PLC29 na edição de ontem por conta do horário. Deixou pra hoje e até que cobriu com muitos caracteres... Fica claro que 

1) A APEOESP é uma vergonha e a oposição paulista é fraca

2) Sobraram dúvidas importantes sobre a lei: 
A) A avaliação será capaz de auferir a capacidade do professores de ensinar?
B) Qual a porcentagem de professores que ascenderão anualmente?  

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Professor que passar em prova ganhará maisProjeto aprovado ontem prevê reajuste extra de 25% aos docentes que forem bem em exame e tiverem poucas faltas

Proposta cria cinco faixas salariais, e nº de atingidos deve ser de até 20% dos docentes; sindicato diz que poucos serão beneficiados

FÁBIO TAKAHASHI
TALITA BEDINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou projeto da gestão José Serra (PSDB) que prevê aumento salarial extra de 25% aos professores que forem bem em uma prova.
Pela proposta, todos os anos os professores terão de passar por avaliação, que será organizada por uma empresa contratada pela Secretaria da Educação. Além do resultado no exame, que será realizado no início de 2010, também contarão a quantidade de faltas e o tempo de permanência na escola.
O número de beneficiados com o aumento extra dependerá dos recursos disponíveis e do desempenho no exame (haverá nota de corte), mas deverá ser de até 20% dos docentes.
O governador, que ainda precisa sancionar a lei, defende que o projeto cria um estímulo aos professores da rede, além de atrair jovens mais bem preparados para o magistério. A qualidade na educação é um dos principais problemas do governo.
"Todo mundo, para trabalhar bem, precisa ter um incentivo ao longo da vida", disse Serra.
Já a oposição e a Apeoesp (sindicato dos professores do Estado) afirmam que os aumentos previstos beneficiarão poucos professores, o que desestimulará os demais.
O projeto prevê a criação de cinco faixas salariais. Os professores que passarem de faixa e receberem o reajuste terão de esperar três anos para pleitear a nova promoção e receber mais 25% de aumento.
Quem não estiver entre os mais bem avaliados e não receber o aumento seguirá na política regular de reajuste na rede.
O governo diz que a política de bônus, que premia os professores de acordo com o desempenho das escolas, será mantido.

Guerra política
A presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, promete uma "guerra política" contra o governo e os deputados que aprovaram o projeto -Serra é um dos cotados para concorrer à Presidência em 2010. "Todos os deputados que votaram "sim" serão exibidos em cartazes."
O Centro do Professorado Paulista afirma que entrará na Justiça contra a lei.
Pesquisadores entrevistados concordaram com a ideia de premiar os melhores professores, mas questionam alguns dos critérios. "Não há evidências de que o professor que vai bem numa prova sabe ensinar bem", disse Eduardo Andrade, do Insper (ex-Ibmec SP).
"Conhecer a matéria é o mínimo para poder ensinar", rebate o secretário da Educação, Paulo Renato Souza.
Segundo o governo, um professor do antigo primário, cujo piso salarial é de R$ 1.597, chegará ao final de carreira (cerca de 25 anos de trabalho) a um salário final de R$ 6.300, se atingir a quinta faixa. Se nunca for promovido de faixa, chegará a R$ 3.200 -terá apenas os reajustes por tempo de serviço.
O secretário Paulo Renato afirma que, neste primeiro ano, há recursos para autorizar os 20% de promoções.

Divergências
Com o apoio dos deputados governistas, o projeto foi aprovado por 48 votos a 21.
"O texto fala em até 20% dos professores. Se der na telha do governo, pode cair para 10% ou até menos", criticou o deputado Roberto Felício (PT).
"Além disso, os aposentados não receberão os reajustes.
Aqueles que dedicaram a vida toda à educação ficarão com os salários congelados por tempo indeterminado", afirmou.
Simulação do secretário da Educação aponta que 75% dos docentes chegarão à faixa mais alta até o final da carreira, desde que haja recursos no período e os professores tirem as notas exigidas. Ele afirma também que os professores se aposentarão com os salários reajustados.
Cerca de 600 professores, segundo a PM, protestaram em frente à Assembleia contra o projeto. Houve empurra-empurra, mas ninguém se feriu.


ANÁLISE

Risco é criar elite em meio a mal remunerados
É preciso recuperar as médias salariais no magistério, para que a carreira volte a atrair os melhores profissionais
ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO 

A ausência de incentivos aos melhores professores na rede pública é frequentemente citada em estudos sobre a educação brasileira como um dos entraves à melhoria da qualidade do ensino. A medida proposta pelo governo de São Paulo, portanto, tem respaldo na literatura acadêmica sobre o tema.
Em praticamente todas as carreiras do setor privado, é normal que os que mais se destaquem sejam recompensados.
Há, no entanto, um sério risco a ser evitado no caso da educação: criar uma elite de profissionais bem pagos no meio de uma maioria de professores com salários seriamente defasados em comparação com outras carreiras de nível superior.
É comum, em reportagens sobre a qualidade do ensino, destacar só as piores escolas -quando o objetivo é enfatizar os maus resultados da educação brasileira- ou as melhores -quando se pretende mostrar que há algumas ilhas de excelência, mesmo no setor público.
Só que o desafio da educação brasileira não está apenas nas piores nem, obviamente, nas melhores. O problema é que, na média, estamos muito mal quando comparados com nações desenvolvidas.
Usando a mesma lógica, é importante criar incentivos para que os melhores professores sejam mais valorizados.
Mas essa ação não deve ser feita em prejuízo da perspectiva de que é preciso recuperar as médias salariais no magistério, para que a carreira volte a atrair, mesmo que a médio e longo prazos, os melhores profissionais formados pelas universidades.
Caso contrário, criaremos, mais uma vez, uma elite no setor público atendida por bons professores, enquanto a maioria dos alunos continuará tendo aulas com profissionais mal preparados e desmotivados.


entrevista

"Melhores poderiam ser referência"
DA REPORTAGEM LOCAL
A doutora em educação pela Universidade Harvard (EUA) Paula Louzano elogiou o projeto. A principal vantagem, diz, é que os professores não precisam deixar de lecionar para progredir na carreira. Antes, o professor tinha de buscar cargo de chefia, como de diretor, para passar o teto. (FT)

 
FOLHA - Como vê o projeto?
PAULA LOUZANO -
 É interessante que o professor possa progredir na carreira sem que precise deixar a sala de aula. Atualmente, a evolução na carreira conta o tempo de serviço e os títulos [cursos que os professores fazem]. As pesquisas mostram que não há relação desses fatores com melhoria na qualidade da educação. Por isso, como ideia, acho o projeto aprovado interessante. Mas agora precisamos acompanhar a implementação. O México já fez um sistema parecido.
FOLHA - Qual é o resultado lá?
LOUZANO -
 Há muita pressão dos sindicatos. Foi necessário fazer concessões. Agora, quase todo mundo recebe o benefício.
FOLHA - Há ajustes a fazer no projeto de São Paulo?
LOUZANO -
 Além de aumentar salários, os melhores professores poderiam ser identificados como referência para os demais. Analisar, por exemplo, as suas práticas, que poderiam ajudar os demais.

entrevista

"Poderia medir o quanto a turma melhora"
DA REPORTAGEM LOCAL
O pesquisador do Insper (ex-Ibmec SP) Eduardo Andrade afirma que o governo poderia ter escolhido outros critérios para definir quais professores receberão os reajustes.
Ele sugere que seja avaliada a evolução das turmas dos docentes. (FT)

 
FOLHA - Como vê o projeto?
EDUARDO ANDRADE -
 O único ponto de que discordo é quanto ao uso da prova para definir quem receberá reajuste. Estudos mostram que um professor que sabe muito bem o conteúdo não necessariamente sabe ensinar ou identificar alunos com dificuldades. Mas concordo com a lógica de beneficiar os melhores. Usar critérios como assiduidade e tempo de permanência na mesma escola é importante.
FOLHA - Se não usar a prova, quais as alternativas?
ANDRADE -
 A Secretaria da Educação poderia medir o quanto a turma daquele professor melhora de um ano para o outro. Já há exames, como o Saresp (do próprio Estado), que avaliam os alunos. Com base nele, é pago um bônus para todos os servidores das escolas que melhoraram.
Seria preciso só aperfeiçoar um pouco os instrumentos, porque é importante saber qual professor está fazendo um bom trabalho. Um mau professor não pode ser beneficiado pelo trabalho do restante.


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

É ou não é Política Estadual de Educação?

Na noite de ontem, a Alesp aprovou o PLC29, que trata do novo sistema de promoção baseado no mérito, para professores da Rede Estadual de Educação. A íntegra do Projeto de Lei pode ser vista aqui. Acho que vale a pena ler a exposição dos motivos, assinada pelo Secretário Paulo Renato.

Diante do quadro de problemas enfrentado pela Educação, eu acredito que esse sistema de promoção pode ajudar a aumentar a atratividade da carreira de professor da rede estadual, que é uma das menos atraentes do universo.

A grande crítica da oposição é a de que a restrição de 20% de promoção (ou seja, a cada ano, até 20% dos 220 mil professores da rede podem ser promovidos) impede que a medida seja chamada de política de remuneração para a categoria, incentivando a competição entre os professores e eliminando a idéia de classe. Em certa medida, concordo com a crítica, mas entendo que

1) Apesar de a categoria ter sofrido muitíssimo com os últimos 16 anos de arocho fiscal do Estado, que representou significativas perdas salariais, não existe a possibilidade orçamentária de aumento significativo de salários para TODOS os professores ao mesmo tempo. Mais do que isso, não considero desejável.

2) O sistema atual de "promoção",  baseado no tempo de serviço e com faixa muito estreita de remuneração desestimula a carreira, uma vez que a) o salário inicial e o final são muito próximos e  b) os bons professores sentem-se injustiçados por serem promovidos da mesma forma que os picaretas, descompromissados, faltosos, incompetentes.

3) A lei atual, que permite a promoção de até 20% de professores AO ANO, permite que, em tese, em alguns anos, a grande maioria dos professores encontre-se na última faixa, recebendo salários de mais de 6mil (eu achei atraente). A verdadeira restrição é a aprovação do exame de avaliação

4) Tenho lido e ouvido bastante a a opinião de que o grande gargalo da educação paulista está na incapacidade dos professores da rede em transmitir o conhecimento aos alunos. Se a promoção foi baseada neste mérito, é possível que a didática dos professores seja estimulada. Outro grave problema, o troca-troca de de escola dos professores também é desestimulado pelo sistema de promoção (o professor deve estar a três anos na mesma escola para ser promovido). Além disso, o critério de assiduidade será considerado.

Evidentemente, como toda política pública, a PLC29 não agrada a todos. Sempre que se fala em educação, é necessário lembrar que estamos falando de 5.500 escolas, 220 mil professores e 7 milhões de alunos. É um universo gigantesco, com dinâmicas complexas e desafios enormes. Eu torço pra dar resultado... E quem sabe eu não me candidato a professor?

Quero ser criticado... :)

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A Folha Online noticiou assim http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u640943.shtml
Na FSP de hoje saiu apenas uma notinha...

No site da Alesp, saiu assim:

Parlamento paulista aprova PLC 29/2009

Proposta do Executivo institui sistema de promoção para o magistério público

Blanca Camargo

A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou, na madrugada desta quarta-feira, 21/10, o Projeto de Lei Complementar 29/2009, do Executivo, que institui sistema de promoção para o magistério público. O placar da votação registrou 48 votos a favor, e 21 votos contrários. Esgotado o tempo regimental para a conclusão do roteiro de votação, a apreciação das 25 emendas apresentadas ao PLC prosseguirá na sessão ordinária de hoje, a partir das 16h30.

As bancadas do PT, do PSOL e do PCdoB votaram contrariamente à propositura. O líder petista Rui Falcão declarou que encaminhará por escrito o voto de sua bancada.

Na exposição de motivos que a Secretaria da Educação encaminhou ao governador José Serra, junto com o texto da proposta, o secretário Paulo Renato Costa Souza explica: "(o projeto) pretende dar continuidade à política de valorização dos servidores desta importante carreira do Estado, com o objetivo de implementar a valorização pelo mérito".

O secretário diz também que o texto prevê cinco faixas em cada uma das classes de professor, diretor e supervisor, e mantém a evolução da categoria por níveis, conforme a legislação. Segundo Paulo Renato, as promoções significam uma evolução salarial na carreira, porque serão incorporadas ao salário e mantidas na aposentadoria.

O quadro das promoções previstas é o que segue: da faixa 1 para a 2 - o equivalente a 25%, para a faixa 3 - 50%, para a 4 - 75%, e para a 5 - 100%, sempre em referência ao vencimento inicial.

Os servidores da Educação compareceram à Casa para acompanhar a votação do PLC 29, lotando as galerias do Plenário Juscelino Kubistchek e permanecendo no entorno da Casa. De acordo com estimativa da Assessoria Policial Militar da Casa, os manifestantes eram em torno de 300.

A oposição protestou contra a presença de um numeroso contingente de policiais militares nos arredores do Parlamento paulista, e o presidente Barros Munhoz interviu para garantir o acesso dos professores às dependências do Palácio Nove de Julho.



Debate

A discussão do PLC 29/2009 pelos deputados foi acalorada e houve controvérsias entre deputados situacionistas e oposicionistas, em torno do uso adequado do painel que permite a exibição de imagens e textos no plenário JK, e também quanto à manifestação dos servidores da Educação nas galerias. O Regimento Interno não permite que as pessoas nesse espaço se manifestem através de palavras ou de aplausos. Já o painel, segundo avaliação dos próprios parlamentares, deverá ser tema de futura regulamentação pelo Colégio de Líderes.

A oposição na Casa é composta pelas bancadas do PCdoB, do PSOL, do PT mais o deputado Olímpio Gomes (PDT), sendo formada por 23 parlamentares. Os demais partidos (PSDB, DEM, PPS, PSB, PDT, PV, PP, PRB, PR, PTB, PMDB e PSC) formam a base governista, constituída por 71 membros.

Logo no início da discussão da proposta, as bancadas petista, do PSOL e do PCdoB declararam-se em obstrução, através dos deputados Adriano Diogo, Raul Marcelo e Pedro Bigardi. Foram usados por eles os recursos previstos pelo Regimento Interno para obstruir a discussão e a votação da proposta, ou seja, pedidos de verificações de presença e de votação, além da inscrição dos deputados oposicionistas nas listas para discutir o projeto e encaminhar a votação.

Esses parlamentares pediram reiteradas vezes que o governador retirasse o PLC 29/2009 e fizesse um amplo debate com a Casa e os representates do magistério, para a construção de uma proposta, segundo eles, mais adequada às reivindicações da categoria, por um plano de carreira que contemplasse todos os professores, oferecesse melhores condições de trabalho e indicasse mais investimentos no setor. A principal crítica oposicionista é de que, em sua avaliação, o PLC 29 restringe a possibilidade de promoção a até 20% de cada faixa salarial, e não constitui o estabelecimento de uma política estadual de educação.

Defesa

De acordo com o relatório favorável à proposta na Comissão de Educação, elaborado pelo deputado Milton Flávio, vice-líder do PSDB, "o Programa de Valorização pelo mérito é uma medida que vai permitir aos professores multiplicar o salário inicial da carreira por 3,4 vezes desde que cumpram as regras de promoção e tenham notas mínimas nas avaliações".

E conforme o deputado Samuel Moreira, líder da bancada tucana, em seu relatório também favorável ao PLC 29 na Comissão de Constituição e Justiça: "as novas regras estimularão o aperfeiçoamento dos integrantes do quadro do magistério, contribuindo para o aprendizado dos alunos e uma gestão escolar mais eficiente". O relator explica ainda que "os 80 mil professores temporários que se tornaram estáveis pela Lei Complementar 1.010, de 1º de junho de 2007 (SPPrev), poderão participar do processo, cumpridos quatro anos de sua primeira vinculação à Secretaria da Educação".

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sdf